domingo, 18 de dezembro de 2011

Cruzeiro aposta no bom e barato para 2012


Nos últimos anos, o torcedor do Cruzeiro viu o clube anunciar grandes nomes para reforçar o time. Montillo, Victorino, Kleber e Roger foram algumas das contratações impactantes que os celestes fizeram. No entanto, para 2012, a estratégia – até o momento – é apostar em jogadores que não têm o nome consolidado na elite do futebol nacional. Gilson, Tiago Carvalho, Rudnei, Amaral, Mateus e Diego Arías são ilustres desconhecidos para a torcida cruzeirense, mas são certezas de um time forte para a diretoria.
- Não podemos garantir o título, mas garanto que vamos disputar em igualdade. O time que estamos montando tem mais pegada, mais altura, mas velocidade... Acredito que vamos ter mais chances em 2012 do que tivemos esse ano - explicou o presidente Gilvan de Pinho Tavares.
As transações sacramentadas têm agradado a Zezé Perrella, que deixou a presidência estrelada nos últimos dias. Para o ex-mandatário, é preciso ver os reforços em campo para tecer qualquer tipo de comentário.
- Vamos fazer os jogadores jogar aqui, eles terão que "estourar" aqui. O presidente não pode fazer loucuras, o torcedor tem que ter paciência, ver os atletas em campo e depois criticar - opinou.
Um dos beneficiados pela nova proposta celeste foi o lateral-esquerdo Gilson, que se destacou no América-MG e chegou a Raposa envolvido na negociação de Kleber com o Grêmio. O passe do ala pertencia ao Tricolor Gaúcho. Para o jogador, os novos reforços chegam motivados pela confiança depositada pela direção no futebol deles.
- O Cruzeiro, por ser uma equipe grande, poderia contratar jogadores já consagrados. E a Raposa está tomando outro rumo, contratando jogadores que se destacaram, mas não são renomados. Isso para nós é muito bom. Sinal de que o Cruzeiro está confiando, o que nos dá mais força para poder realizar nosso futebol. Chegamos fortalecidos ao clube, dispostos a jogar e honrar essa camisa - destacou Gilson, que externou a ambição de chegar a Seleção Brasileira:
- O clube optou pelas contratações de jogadores que se destacaram no Brasileirão e é importante mesclar com jogadores já consagrados. É uma aposta que tem o risco de não dar certo, mas pode também dar. E nos queremos mostrar nosso valor. Quero mostrar o meu valor, que posso ta no Cruzeiro e até na Seleção – comentou o atleta.
Inspirado em modelos de sucesso
Se a estratégia é diferente dos principais clubes do país no período de negociação atual - já que as grandes equipes buscam e apresentam reforços de renome -, o mesmo não se pode dizer das contratações no início de 2011 do Vasco. A equipe carioca, que teve uma temporada de sucesso - com título da Copa do Brasil e o vice do Brasileirão -, se reforçou sem fazer muito alarde. Contratações de jogadores não tão conhecidos, como Bernardo e Anderson Martins, foram apostas certeiras. Somado a isso, a manutenção de uma base forte e a adição de jogadores experientes, mas que não estavam rendendo nos seus clubes, como Alecsandro e Diego Souza.
- O Vasco não era cogitado para ser campeão e teve um ano bom, brigando pelo titulo do Brasileiro até a última rodada. Isso foi a prova de que a estratégia pode dar certo - relembrou o lateral-esquerdo Gilson.
As contratações de jogadores do interior ou de times de Série B feitas pelo Corinthians, que faturou o Campeonato Brasileiro, também servem de modelo. Ralf e Paulinho, volantes da Seleção Brasileira, que vieram de Grêmio Barueri e Bragantino, respectivamente, são exemplos positivos.
- Se a imprensa, que está preocupada, analisar o time do Corinthians, a maioria dos atletas foram de times do interior e conseguiram se adaptar. Alguns jogadores, que vieram de fora, não renderam tanto - explicou Gilvan de Pinho Tavares, presidente celeste.
Desconhecidos que vingaram na Raposa
Ramires: Chegou do Joinville em 2007. Ganhou espaço no Campeonato Brasileiro e logo de destacou na competição. Em pouco tempo, o volante era o pilar do meio de campo celeste e cotado para a seleção brasileira.
Charles: Formado na base cruzeirense, ganhou destaque no Ipatinga ao disputar o Campeonato Mineiro. Na Raposa, Charles formou uma elogiada dupla com Ramires. As boas atuações logo chamaram a atenção da Europa.
Marcelo Moreno: Destaque nas categorias de base do Vitória, mas sem projeção nos profissionais, o boliviano ganhou destaque na Raposa em 2008, quando se tornou o artilheiro da Libertadores naquele ano.
Gil: Destaque do Atlético-GO, Gil demorou a se firmar na Raposa e foi sempre contestado pelos torcedores. Mas após sua venda para o futebol francês, nesta temporada, a sua importância foi comprovada: o setor defensivo ficou muito vulnerável.
Henrique: Brilhou no Figueirense e foi para o Jubilo Iwata. Em 2008, chegou ao Cruzeiro após indicação de Adilson Batista. Os chutes de fora da área e a combatividade no meio de campo celeste o levaram à Seleção Brasileira.
Opinião dos especialistas – O Cruzeiro vem competitivo em 2012 com as contratações de ‘desconhecidos’?
Josias Pereira – SuperFC: "A atual política de contratações do Cruzeiro expressa o desejo de reformular uma equipe que manteve a mesma base durante praticamente três anos. Além disso, revela a continuidade da era Perrella no clube já que o seu sucessor, Gilvan de Pinho, também pretende investir no bom e barato para tentar formar uma equipe campeã. Mas, é preciso ao torcedor ter paciência. O Cruzeiro deverá ser uma equipe completamente diferente em 2012."
Jefferson Delbem – Hoje em Dia: "Na minha visão, o Cruzeiro está equivocado. São apostas, podem vingar, mas nunca foi a estratégia da Raposa. Se fosse um ou dois, poderia dar certo. Acho difícil contratar cinco jogadores sem muito nome e eles vingarem. Se fossem mais novos, mas são mais velhos e alguns dispensados de times que caíram para a Série, como o Rudnei."
Marcelo Faria – Uai: "O Cruzeiro está com uma estratégia diferente, com uma nova diretoria. É uma tática mais arriscada, pode ser que se tenha grandes lucros com um investimento pequeno, mas também pode dar tudo muito errado e não ter uma equipe competitiva. Na minha opinião, a tendência é que ocorra a segunda opção."
Débora Souza – PUC TV: "Para uma torcida que está acostumada com grandes reforços, os novos contratados pelo Cruzeiro podem assustar, afinal a maioria foi rebaixada pelo seu clube ou atuava na série B. Mas para um clube que não vem bem financeiramente e que não faz loucuras, essa é sim a melhor estratégia para 2012. Contratações modestas, mas resolvam os principais problemas da equipe. Se os jogadores novos darão certo, não se sabe, mas a política adotada pela diretoria é a mais correta. Agora não é a hora para cometer insanidades."

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