Ameaçado de rebaixamento à Série B, o Cruzeiro se apega a qualquer possibilidade para garantir a sua permanência na elite do futebol brasileiro. Nesse contexto, até mesmo a cor do uniforme passa a ser relevante para o clube, que enfrentará o arquirrival Atlético-MG, neste domingo, às 17h, na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas, provavelmente todo de branco.
No empate com o Atlético-PR, em 1 a 1, em Sete Lagoas, o Cruzeiro também atuou todo de branco
Desde a vitória sobre o Internacional, por 1 a 0, em 13 de novembro, no mesmo estádio do clássico contra o Atlético-MG, o time celeste entrou em campo sempre de branco. Nos três jogos seguintes, a equipe do técnico Vágner Mancini não mais venceu, mas, também não perdeu e, por isso, conseguiu chegar à última rodada fora da zona de rebaixamento e precisando apenas do seu resultado para não ser rebaixado.
Vágner Mancini evitar dizer que a troca do tradicional uniforme azul pelo branco foi feita por superstição, embora admita essa hipótese. “Olha, eu sinceramente não sei te dizer (se é superstição), eu notei isso, até fiz a pergunta para uma das pessoas, e não obtive a resposta, não sei”, desconversou o treinador, dando a entender que não partiu dele essa decisão.
“Pode acontecer que sim, porque dentro do futebol existe muita gente que está envolvido, às vezes até pode ser que exista isso que eu não sei”, comentou Vágner Mancini, tentando se explicar, mas sem conseguir. O treinador ainda ressaltou não saber a cor do uniforme para o clássico contra o Atlético-MG, no próximo domingo, mantendo o mistério. “Não sei também se vai jogar de branco ou não, eu acho que tem que jogar futebol”, disse Mancini, que tem fechado treinos, deixando no ar mais um mistério.
O técnico celeste ainda fez uma brincadeira em função do uso do branco com a vitória. “Se for para jogar de branco e ganhar então vamos mudar a camisa do Cruzeiro para jogar só de branco”, brincou Mancini. Falando sério, ele admite que o fato de o time não ter sido derrotado nos quatro jogos em que usou o branco “dá segurança” ao atleta.
?O que faz ganhar é estar preparado, não é a cor da camisa, azul ou branca, é a parte física e psicológica. Na hora que está mais desequilibrado, fragilizado, busca tudo quanto é coisa?, Piazza
- CHUVA FORTE EM ATIBAIA ATRAPALHA O CRUZEIRO
O fato é que se for pela força da camisa branca, a reta final da competição do Brasileirão neste ano tem funcionado. Após a ida para primeira ida Atibaia, interior de São Paulo, onde a equipe se preparou por uma semana para enfrentar o Internacional, os atletas e comissão técnica chegaram a fazer um pacto de vencer as três partidas seguintes.
Coincidência ou não, o Cruzeiro voltou para a cidade paulista para se preparar para o clássico contra o Atlético-MG, no encerramento da competição. Na 16ª colocação, com 40 pontos, a equipe celeste se salva da queda com vitória sobre o rival, sem depender de nenhum outro resultado, Mas, pode até se manter na Série A, até mesmo com derrota, desde que o Ceará pelo menos empate com o Bahia, e o Coritiba vença o Atlético-PR.
O pacto das vitórias parou no primeiro confronto contra o Internacional, por 1 a 0, mas nas partidas seguintes, a equipe celeste não perdeu, contra o Avai (0 a 0), contra o Atlético-PR (1 a 1) e contra o Ceará (2 a 2). O que une todas as últimas quatro rodadas, é que o time entrou em campo com o segundo uniforme. Na luta para escapar da degola, o Cruzeiro somou seis importantes pontos, nos últimos 12 disputados.
Campeão de branco em 66
Ídolo celeste, o ex-volante Piazza disse ter sido muito feliz jogando de branco. O ex-jogador, que revelou se manter alheio às superstições, contou que na época em que jogava, alguns dirigentes e seus companheiros, como o então lateral-direito Pedro Paulo, não gostavam de usar a camisa branca nos jogos, por achar que não dava sorte.
“É relativo. Eu não tenho nada contra o branco, fui muito feliz vestindo o branco, mas conheci alguns jogadores e dirigentes que tinham esse estigma com o branco, de não ser a que dava mais sorte. Mas fomos campeões em 66 da Taça Brasil jogando de branco”, disse Piazza, referindo-se ao confronto contra o Santos.
Para o ex-jogador, o importante é o time estar bem preparado. “O que faz ganhar é estar preparado, não é a cor da camisa, azul ou branca, é a parte física e psicológica. Na hora que está mais desequilibrado, fragilizado, busca tudo quanto é coisa”, ressaltou o ídolo.
A camisa branca no Cruzeiro teve origem na década de 1950. Devido a precariedade dos sistemas de iluminação dos estádios, o Cruzeiro lançou o uniforme para os jogos noturnos com camisa branca com gola, punhos e escudo azul. O calção era azul e as meias eram brancas.
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